O início de todo o material que compõe o acervo do Conjunto se deve às
boas providências de minha saudosa mãe Zisile. Assim temos hoje recordações dos
bons tempos do Big Brasa através de notas publicadas na imprensa em variados
períodos e fotografias que ela guardava tudo com um carinho especial! Com muito
gosto ela recortava as notas de imprensa, as fotos e as guardava cuidadosamente
para montar seus álbuns. Essas recordações possuem um valor inestimável para
todos aqueles que efetivamente participaram dos Anos 60, da Jovem Guarda e de
modo especial do Big Brasa.
O fundamental é que o entusiasmo pelos registros de tudo proporcionou
a manutenção do acervo do Big Brasa por mim e hoje podemos compartilhar com
familiares, com o público em geral, amigos, fãs do Big Brasa e todos aqueles
que vivenciaram aquela época maravilhosa. Lembro saudosamente de alguns
momentos em que minha mãe me mostrava uma publicação, algum recorte de jornal,
dizendo, com muita felicidade: “Olhe João Ribeiro, saiu esta nota hoje”... E as
guardava nos álbuns.
- Uma crônica sobre o Conjunto
Big Brasa!
“Big
Brasa - A Crônica dos Anos Dourados” foi o
título da Coluna Entre Aspas, (Caderno C) do dia dez de setembro de 1998,
publicada no Jornal Tribuna do Ceará, que trás a capa de meu livro estampada em
página inteira, cujo exemplar guardo até hoje com extremo carinho e que vou
transcrever a seguir para na íntegra, sem tirar nem colocar uma vírgula sequer.
A crônica foi escrita pelo jornalista Luiz Antonio Lima Alencar, que vivenciou
o período e conhece bem a história da música no Ceará e o mundo do rock. O
“Peninha” foi integrante do Conjunto, sendo tratado por nós como um Eterno Big
Brasa. Dizia a crônica:
“O Big Brasa e minha vida musical, um livro a
ser lançado na primeira quinzena de janeiro que fala de um grupo cearense que
representou os tempos áureos da Jovem Guarda.
Em 1967, Fortaleza era uma sociedade ainda
com sabor provinciano, com apenas um canal de televisão em preto e branco e a
música de Jovem Guarda detonando nas emissoras de rádio e nos corações. A
cidade era cheia de conjuntos de música jovem chamada yê-yê-yê, que era
justamente o som que os Beatles, o Rolling Stones e Cia. Ltda. faziam pelo
mundo afora.
Em Messejana, o jovem João Ribeiro da Silva
Neto, então com 15 anos, exibia orgulhosamente sua primeira guitarra para os
amigos, uma novidade naqueles tempos inocentes e fundava uma bandinha com o
nome adequado para a época Big Brasa. Com equipamentos primitivos para o dia de
hoje, mas eficientes para aqueles anos inocentes, o grupo passou a tocar
bailes, levando o som de Roberto Carlos, Renato e seus Blue Caps, Beatles e
Stones, para os circunspectos clubes sociais, escandalizando os diretores com
suas músicas consideradas barulhentas em contrapartida com os boleros e mambos
de então.
O livro O Big Brasa e Minha Vida Musical - Anos
Dourados, de João Ribeiro da Silva Neto, com 154 páginas, fala de sua
experiência pessoal como músico de música pop dos Anos 60, mas abrange também
uma época considerada exuberante na história local e do mundo, principalmente
na área musical.
O mais curioso é a participação de um senhor
de cinquenta anos, o contador Alberto Ribeiro da Silva, no projeto que envolvia
adolescentes e suas travessuras, o que dá um choque de gerações tão comum nos
Anos 60. Mantendo uma linha de autodepoimento o livro passeia pelos fatos
inocentes do período, numa linguagem simples e até coloquial como um bate-papo.
A realidade musical da época, que com várias bandas do estilo fazendo a cabeça
do pessoal e invadindo a seriedade dos clubes, se faz presente de maneira leve
e indireta.
O esquema era interessante. Na medida em que
os grupos cresciam em termos de volume de som e equipamentos, os diretores de
clubes ficavam escandalizados com a barulheira infernal para seu gosto,
enquanto o som e os costumes evoluíam. O Conjunto Big Brasa tipifica essa
mutação comportamental interessante, a partir do instante em que jovens da
classe média urbana faziam sua revoluçãozinha de maneira inocente em um palco,
tocando para as pessoas dançarem, enquanto as cabeças mudavam.
Vale lembrar que entre 1967 e 1977, período
de vigência do Big Brasa, Fortaleza dispunha de pouquíssimas, elitizadas e
tímidas boates, e o escoamento jovem ia para os clubes, condensando a onda
toda. As letras românticas e inocentes, a ausência de drogas, e as guitarras e
amplificadores de baixa potência, quase sem efeitos, era a receita da
felicidade dos anos dourados. Haja vista que, quando o Conjunto Big Brasa
começou a usar os primeiros pedais de efeitos, numa marca de pioneirismo,
causou sensação entre a moçada.
O livro de João Ribeiro trata de tudo isso,
com a leveza de um bate-papo carinhoso e nostálgico.”
-
“Big Brasa, excelente conjunto musical dirigido por um joseense”
Acima a manchete de uma nota publicada em um jornal de São José dos
Campos, São Paulo, pelo jornalista Vantuílde José Brandão, que visitou
Fortaleza em 1969. Esse jornalista falava de sua amizade com meu pai, durante
os vinte anos que morou em São Paulo e destacava que dois participantes do Big
Brasa erma “filhos da terra”, os seja, joseenses.
Depois de algumas considerações sobre a composição do Big Brasa, dizia
a nota: “Fortaleza é uma capital de um milhão de habitantes e que possui muitos
conjuntos musicais que atuam em seus clubes. Pois bem, o Conjunto Big Brasa é
considerado um dos melhores. O simpático conjunto atua nos principais clubes de
Fortaleza e já percorreu as principais cidades do Ceará e de outros Estados.
Alcançou pleno sucesso em Teresina, no Piauí e São Luís, no Maranhão”.
- “Big Brasa
retorna quente de São Luís: Música Jovem”
Dizia a publicação: “O conjunto musical Big Brasa, um dos papas do
iê-iê-iê, depois de vitoriosa excursão a São Luís do Maranhão, retorna a
Fortaleza para animar as festas da gente jovem. Conjunto agressivamente musical
e de excelente qualidade, o Big Brasa tem uma característica moderna, tocando o
ritmo do iê-iê-iê, em suas diversas modalidades, como os sambas modernos ou a
bossa-nova, dentro do melhor estilo de Vinícius de Morais, de Tom Jobim e ainda
da música de protesto de Edu Lobo ou ainda de Gilberto Gil. Na capital Timbira
atuou nos melhores clubes, lavrando magníficos tentos”.
- “Big Brasa em Teresina”
Nota de um jornal de Teresina:
- “Registramos a presença em nossa
capital do Conjunto Musical Big Brasa, radicado em Fortaleza, onde faz muito
sucesso. São integrantes desse grupo musical: Marcos Oriá, João Dummar Filho,
João Ribeiro e Carlomagno Lima (guitarristas), Severino Tavares (baterista) e
Getúlio Ribeiro (mascote). Esses rapazes são todos pré-universitários e aqui
estão hospedados na residência do Professor Raldir Bastos. Boas vindas, rapazes!”
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